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Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva
A primeira vez que ouvi a história de Judith Teixeira, senti um choque que me fez chorar. Foi no Centro de Cultura e Intervenção Feminista da UMAR, pela voz da jornalista São José Almeida, que soube como foi perseguida, censurada, como queimaram o seu livro e a apagaram da nossa história. Procurei a sua obra, devorei-a, e aí a alegria invadiu-me.
Judith Teixeira foi uma poeta brilhante. Lésbica num Portugal sufocado pela ditadura, arriscou tudo. Escreveu criando um espaço de liberdade radical, potência, amor, corpo, desejo, erotismo e paixão entre mulheres, pensamento e ação, abrindo caminho para todas nós.
Reivindico Judith Teixeira como nossa ancestral: a voz que iluminou a noite com um traço de fogo para que hoje possamos escrever em liberdade e existir com dignidade.
A primeira edição brasileira da sua obra completa é um momento histórico: resgata a autora e projeta-a para um novo espaço crítico e afetivo, inscrevendo-a num diálogo amplo com o modernismo, os feminismos e os estudos queer contemporâneos.
Raquel Freire Lisboa,
15 de dezembro de 2025
O volume reúne os escritos que a autora deixou no âmbito da poesia, da prosa ficcional, da crônica e dos manifestos, além de cartas de terceiros e do poema “Lluvia”, do poeta e jurista espanhol Manuel Lasso de La Vega, que Judith traduziu e fez publicar, em 1923, no Diário de Lisboa. Ademais, no “Estudo Introdutório” que abre o livro, Fabio Mario traz informações várias sobre a moderna revista Europa – Magazine Mensal, cujos três únicos números, publicados em Lisboa em abril, maio e junho de 1925, Judith Teixeira dirigiu e editou. Traz também notícias da recepção crítica da autora em jornais portugueses, vazada não poucas vezes em tom de truculenta misoginia, como na caricatura lançada por Américo Amarelhe no jornal O Sempre Fixe, de 01/07/1926. Aliás, misoginia, lesbofobia e gordofobia articulam-se nessa caricatura, à qual o maldoso autor acrescenta uma paródia chula do poema “A bailarina vermelha”, que Judith incluíra na sua coletânea Nua – Poemas de Bizâncio (1926).
Renata Soares Junqueira
Unesp – Araraquara
Ficha técnica
Organizador: Fabio Mario da Silva
Ano: 2026
Gênero: acadêmico
